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Nossa tempestade foi seu caminho

7 de agosto de 2010
Suponha que um dos discípulos de Jesus guardasse um diário. E suponha que esse discípulo tivesse escrito nesse diário na manhã seguinte à tempestade. E suponha que nós tivéssemos descoberto esse diário. Aqui está como se lería… suponho.

 

* * * * * *
Apenas há alguns minutos atrás, explodiu o caos.

Ah, como a tempestade foi estrondosa. As estrelas foram escondidas por um teto preto. As nuvens tornaram-se como fumaça. Disparos de relâmpagos eram o maestro que dava a deixa para os tambores do trovão ressoarem.

E eles ressoavam. As nuvens pareciam erguer-se como um urso sobre as patas traseiras e rugir. Os estrondos faziam tudo tremer: os céus, a terra, e – acima de tudo – o mar. Era como se o Mar da Galiléia fosse uma tigela nas mãos de um gigante dançarino. Das profundezas do lago vinham as ondas, tornando a superfície congelada em uma cadeia montanhosa de ondas com o topo de neve. Um e meio, três, até quatro metros e meio elas amontoavam no ar, subindo e caindo como andorinhas perseguindo mosquitos.

No meio do mar, nosso bote saltava. As ondas batiam nele tão facilmente como crianças em uma bola. Nosso esforço nos remos mal o mexia. Estávamos à mercê da tempestade. As ondas nos levantavam tão alto que sentíamos que estávamos em pleno ar. Depois mergulhávamos no vale.

Éramos um graveto em um remoinho…uma folha no vento. Estávamos indefesos.

Foi quando a luz apareceu. Primeiro eu pensei que aquilo fosse reflexo da lua, um brilho na superfície da água. Mas a noite não tinha lua. Olhei de novo. A luz estava vindo em nossa direção, não acima das ondas, mas através delas. Eu não fui o único que viu aquilo.

“Um fantasma,” alguém gritou. O medo do mar foi coberto por um novo terror. Os pensamentos corriam à medida que a aparição aproximava-se. Era um produto da nossa imaginação? Era uma visão? Quem? Como? O que era essa luz mística que parecia tão…?

Um brilho de raio iluminou o céu. Por um segundo consegui ver o rosto daquilo…o rosto dele. Um segundo foi tudo o que precisei.

Era o Mestre!

Ele disse:

“Coragem! Sou eu. Não tenham medo!” 1

Nada mudou. A tempestade ainda bramava. O vento ainda gritava. O bote ainda tombava. O trovão ainda fazia estrondo. A chuva ainda caía. Mas no meio do tumulto, eu podia ouvir Sua voz. Apesar de ainda estar longe, era como se Ele estivesse ao meu lado. A noite estava feroz, mesmo assim Ele falava como se o mar estivesse sereno e o céu silencioso.

E, de alguma maneira, veio a coragem.

“Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro por sobre as águas.” 2

Era a voz de Pedro. Ele não estava sendo insolente. Ele não estava exigindo prova. Ele estava assustado. Como eu, ele sabia o que aquela tempestade podia fazer. Ele sabia que o bote logo afundaria. Ele sabia que Jesus estava em pé. E ele sabia onde queria estar…onde todos nós queríamos estar.

“Venha,” Jesus pediu.

Então Pedro saiu de lado e pisou no mar. A sua frente abriu uma trilha através de uma floresta de ondas. Ele pisou rapidamente. A água respingou. Mas ele continuou indo. Aquele caminho para Jesus era faixa de tranqüilidade. Estava sossegado. Sereno.

Jesus irradiava luz no final da trilha. Sorrindo.

Pedro dava passos em direção à luz como se fosse sua única esperança. Ele estava na metade do caminho quando todos nós ouvimos o trovão. Fez um estrondo, e ele parou. Vi sua cabeça virar. Ele olhou para o céu. Olhou para as nuvens. Sentiu o vento. E afundou.

Cara como ele gritou!

Uma mão veio através dos lençóis de água e agarrou Pedro. O relâmpago brilhou de novo, e pude ver o rosto de Jesus. Percebi que seu sorriso tinha desaparecido. A mágoa cobriu sua face. Era como se Ele não pudesse acreditar que nós não conseguimos acreditar. O perigo para nós era um desvio para Ele. Queria perguntar a Ele, “Não está com medo, Jesus? Não está com medo?”

Mas eu não disse nada. Antes que eu percebesse, Ele estava conosco no bote.

O mar ficou calmo como seda.

Os ventos calaram.

Um desfiladeiro abriu nas nuvens; um luar suave caiu sobre a água.

Aconteceu instantaneamente. Não foi preciso o resto da noite. Não foi preciso uma hora. Não foi preciso um minuto. Aconteceu em um piscar de olhos.

Do caos para a calma. Do pânico para a paz. O céu ficou silencioso tão repentinamente que eu pude ouvir meu coração batendo. Pensei que estivesse sonhando. Então vi os olhos arregalados dos demais e senti minha roupa ensopada na minha pele. Não era sonho. Olhei pra a água. Olhei pro Pedro. Olhei pros outros. E então olhei pra Ele.

E fiz a única coisa que poderia fazer. Com as estrelas como minhas velas e o bote imóvel como meu altar, caí a seus pés e adorei.

Há momentos na vida de uma pessoa quando, até no meio deles, você sabe que nunca será o mesmo. Momentos que servem de cartões postais para sempre. Este foi um.

Nunca havia visto Jesus como O vi então. Eu O havia visto poderoso. Eu O havia visto sábio. Testemunhei Sua autoridade e fiquei maravilhado diante de Suas habilidades. Mas o que testemunhei a noite passada, sei que nunca vou esquecer.

Eu vi Deus. O Deus que não pode ficar sentado quieto quando a tempestade é muito forte. O Deus que permite que eu sinta medo o suficiente para que precise Dele e então chegue perto o suficiente para que eu possa vê-lo. O Deus que usa minhas tempestades com o Seu caminho até mim.

Eu vi Deus. Precisou de uma tempestade para que eu O visse. E eu nunca serei o mesmo.

______________
1 Mateus 14:27
2 Mateus 14:28

Max Lucado

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