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Do céu para a terra com amor

31 de agosto de 2010

Ele não se intitulou “o reverendo Divindade Angélica da Santidade III”. Ele não insistiu em togas reais de pelúcia ou vislumbrantes ou cetros dourados vislumbrantes. Ele não veio nas asas de uma tropa celestial, viveu em um palácio celestial ou marchou à frente de uma guarda de honra angelical.

Ele era o filho de um carpinteiro em uma seção remota de uma nação oprimida. Ele era a maior surpresa de Deus. O coração do céu embrulhado em corpo humano. Se você esqueceu o que Ele realmente é – ou quer conhecê-lo melhor – continue lendo!

“Você quer dizer me que Deus se tornou uma criança…

Aquele que estava apresentando as perguntas era enigmático. Suas sobrancelhas densas enrugaram de dúvida e seus olhos inclinaram em precaução. Apesar de haver lugares para sentar, ele optou por não fazê-lo. Preferiu ficar em pé seguro atrás da multidão, sem ter certeza, mas intrigado com o que estava escutando. Do começo ao fim da leitura, ele escutou propositadamente, descruzando seus braços ocasionalmente para afagar seu queixo com barba. Agora, entretanto, ele se levantou direto, dando um soco no ar com seus dedos enquanto ele indagava.

e que Ele nasceu em um estábulo de ovelha?”

Ele olhava enquanto descia de uma das montanhas adjacentes do Colorado: coleção de chapéus, roupa macia, perneiras de náilon, botas de marchar. E ele examinou embora, honestamente, não soubesse se a história que estava ouvindo era uma lenda da montanha ou a verdade do Evangelho.

“Sim, é isso que eu quero dizer,” o professor respondeu.

“E então, depois de se tornar um bebê ele foi criado em um lar de operário? Ele nunca escreveu livros ou teve escritórios, mas ainda assim se intitula o Filho de Deus?”

“Está certo.”

O professor que estava sendo questionado era Landon Saunders, a voz do programa Heartbeat Radio. Nunca tinha ouvido alguém contar a história do Nazareno como Landon pode.

“Ele nunca viajou para fora de seu próprio país, nunca estudou na universidade, nunca morou em um palácio, mas ainda assim pedia para ser considerado como o criador do universo?”

“Está correto.”

Eu estava um pouco irritado por causa do diálogo. Tinha acabado de sair da faculdade, entusiasmado. Como ajudante voluntário na série de conferências, tinha ido com versículos memorizados e com respostas carregadas na câmara da minha arma evangélica. Entretanto, fui preparado para defender um estilo de vida, não um Salvador. Estava preparado para argumentar moralidade, doutrina, céu e inferno. Não estava preparado para debater sobre um homem. Jesus sempre foi alguém que eu somente aceitava. Essas perguntas eram muito agressivas para minha fé virgem.

“E essa história de crucificação… ele foi traído pelas próprias pessoas que ficavam com ele? Nenhum dos seguidores foi defendê-lo? E então foi morto como um ladrão pé-rapado comum?”

“Essa é a essência.”

A autenticidade da pessoa que perguntava não te permitia considerá-lo um cínico nem mandá-lo embora como um exibido. Ao contrário, ele parecia nervoso por chamar tanta atenção. Seu jeito desajeitado denunciou sua inexperiência em falar em público. Mas seu desejo de saber era apenas 30 ou 60 gramas mais pesado que seu desconforto, então continuou.

“E depois de morrer foi enterrado em uma sepultura emprestada?”

“Sim, ele não tinha sua própria sepultura nem dinheiro para comprar uma.”

A honestidade do diálogo manteve a audiência fascinada. Percebi que eu estava testemunhando um desses raros momentos quando duas pessoas querem questionar o que é santo. Ali estavam dois homens em lados opostos de um profundo abismo, um perguntando para o outro de a ponte que se estendia entre eles poderia ser realmente confiável.

Havia um palpite de emoção na voz do estudante enquanto ele cuidadosamente pronunciava a próxima pergunta.

“E de acordo com o que está escrito, depois de três dias na sepultura, ressuscitou e apareceu para mais de quinhentas pessoas?”

“Sim.”

“E tudo isso foi para provar que Deus ainda ama seu povo e providencia um caminho para que retornemos a Ele?”

“Certo.”

Eu sabia que pergunta estava vindo a seguir. Todos na sala sabiam. Poderia ter passado sem ter sido perguntada. Do fundo do meu coração, esperava que não fosse perguntada.

“Isso tudo não parece um pouco…” Ele parou um segundo, procurando pelo adjetivo certo. “Isso tudo não parece um pouco absurdo?”

Todas as cabeças viraram em perfeita sincronia e olharam para Landon. Todas as cabeças, isto é, exceto a minha. Minha cabeça estava girando enquanto era forçado a olhar para Jesus por um novo ângulo. Cristianismo… absurdo? Jesus em uma cruz… absurdo? A Encarnação… absurdo? A Ressurreição… absurdo ? Em minha escola dominical, Jesus foi tirado do flanelógrafo.

A resposta de Landon foi simples. “Sim, suponho que isso soe absurdo, não soa?”

Não gostei da resposta. Não gostei mesmo. Fale como fazia sentido! Faça um esquema das dispensations. Apresente as profecias cumpridas. Explique o cumprimento da Lei Antiga. Pacto. Reconciliação. Redenção. Claro que fazia sentido. Não permita que ele descreva as ações de Deus como absurdas!

Então comecei a cair em mim: O que Deus fez faz sentido. Faz sentido que Jesus fosse nosso sacrifício porque era necessário um sacrifício para justificar a presença do homem diante de Deus. Faz sentido que Jesus usasse a Lei Antiga para mostrar a Israel sua necessidade de graça. Faz sentido que Jesus fosse nosso Supremo Sacerdote. O que Deus fez faz sentido. Pode ser ensinado, colocado em gráfico e em livros sobre teologia sistemática.

Entretanto, por que Deus o fez é absolutamente absurdo. Quando a pessoa deixa o método e examina o motivo, os blocos de lógica cuidadosamente amontoados começam a desabar. Esse tipo de amor não é lógico; não pode ser traçado puramente em um sermão ou explicado em um limite de papel.

Pense sobre isso. Por milhares de anos, usando sua inteligência e simpatia, o homem tentou ser amigo de Deus. E por milhares de anos, ele decepcionou Deus mais que O exaltou. Ele fez todas as coisas que prometeu que nunca faria. Foi um fiasco. Mesmo o mais santo dos heróis às vezes esquecia do lado de quem estava. Alguns dos cenários na Bíblia parecem mais aventuras do Marinheiro Simbad que histórias para escola bíblica de férias. Lembra destes personagens?

Arão. Mão-direita de Moisés. Testemunha das pragas. Membro da “Expedição ao Leito do Mar Vermelho”. Sacerdote santo de Deus. Mas se era tão santo, o que estava fazendo liderando os israelitas em aeróbica ao pé do fogo diante do bezerro de ouro?

Os filhos de Jacó. Os pais das tribos de Israel. Tataranetos de Abraão. Mesmo assim, se eram tão especiais, por que estavam amordaçando seu irmão mais novo e vendendo-o para o Egito?

Davi. O homem segundo o coração de Deus. O rei do Rei. O matador de gigante e compositor. É também o rapaz que teve sua visão embaçada como resultado de um banho no teto. Infelizmente, a água não era sua, nem a mulher que ele estava olhando.

E Sansão. Desfalecido no sofá de Dalila, bêbado de vinho, perfume e luzes suaves. Ele estava pensando, Ela está vestindo algo mais confortável. Ela está pensando, sei que coloquei essa tesoura aqui em algum lugar.

Adão enfeitado em folhas de figo e manchado pelo fruto proibido. Moisés lançando um cajado e um chilique temperamental. O rei Saul olhando dentro de uma bola de cristal para saber a vontade de Deus. Noé, bêbado e nu em sua própria tenda.

Estes são os escolhidos de Deus? Esta é a linhagem real do Rei? Estes são aqueles incumbidos de realizar a missão de Deus?

É fácil ver o absurdo.

Por que Ele não desistiu? Por que Ele não deixou o globo girar fora do seu eixo?

Mesmo depois de gerações de pessoas que cuspiram em Sua face, Ele ainda as ama. Depois de uma nação de escolhidos tirar Sua roupa e rasgar seu corpo encarnado, Ele ainda morreu por eles. E mesmo hoje, depois de milhões escolherem se prostituírem ante os alcoviteiros do poder, da fama e da riqueza, Ele ainda espera por elas.

Isso é inexplicável. Não há um pingo de lógica nem uma linha de racionalidade.

E mesmo assim, é essa mesma irracionalidade que dá ao Evangelho sua maior defesa. Porque só Deus poderia amar assim.

Não sei o que aconteceu com aquele rapaz que fez as perguntas em Colorado. Ele desapareceu tão rapidamente quento veio. Mas estou devendo a ele. Ele me forçou a ver Jesus como nunca O havia visto antes.

No começo eu não O reconheci. Acho que estava esperando alguém em um vestido em movimento com mãos brancas de seda. Mas isso era Ele. O leão. O Leão de Judá. Ele saiu das densas árvores de ritual e teologia e repousou em uma breve clareira. Em sua pata havia uma ferida e em sua juba havia manchas de sangue. Mas havia realeza Nele que silenciava até a brisa nas árvores.

Realeza manchada com sangue. Um deus com lágrimas. Um Deus com um coração. Deus tornou-se o ridicularizado da terra para salvar suas crianças.

Como é absurdo pensar que tal nobreza iria para tal pobreza para compartilhar tal tesouro com almas tão ingratas.

Mas Ele fez.

Na verdade, a única coisa mais absurda que o presente é nossa teimosa má vontade em recebê-lo.

Max Lucado

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2 comentários

  1. Oi Nanda

    Que texto maravilhoso, que lucidez do Lucado quanto a essência de Cristo né? Será que dá pra vc mandar a referência bibliográfica. Despertou um interesse para ler mais dele.

    Um cheiro e uma porção de fé embrulhada com a graça de Deus pra vc.
    Cris


  2. Cris, ele é um artigo que recebi. Acho que não faz parte de um livro especifico, mas vou investigar melhor….amo vc…



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